Paris - Nem só a Nike, o
MacDonald’s ou o Zagallo ganham dinheiro nessa copa. Vejam o caso do Gregório
(o nome é outro, é claro), de Cuiabá.
Bancário, ganha menos de
500 mil por mês. Tem 34 anos e estava casa-não-casa com a Magdala há mais
de dez. Faltava o dinheiro para mobiliar a casa. Ele queria do bom e do melhor
para a namorada, futura mãe dos seus filhos.
Encontrou um agiota,
comprou tudo, casou e mudou. Os juros crescendo, o agiota no pé dele. A
mulher engravida. Gregório estava desesperado.
Eis que o destino lhe bate
à porta, como diria o linense Fiori Giglioti. Quando comprou um dos eletrodomésticos,
concorreu a um mês na copa, tudo pago, primeira classe. Ganhou. Pensou: vendo
o pacote, pago os dez pau que devo e ainda sobra. Só que não podia vender.
Tinha que vir.
Foi quando ele e Magdala,
vendo televisão aí no Brasil, ainda antes da copa, ficam sabendo que os
ingressos por aqui estavam valendo uma nota. Não deu outra. Gregório
embarcou e caiu aqui no Meridian-Etoile, ao lado do Arco do Triunfo.
E aqui só tem rico ou
jornalista. E ele, no meio. Não falava uma palavra em francês e, sem contar
a sua história foi se enturmando. Até que um dia, numa rodinha lá no saguão,
um usineiro perguntou qual era o ramode negócio dele e ele disse:
- Banco!
Mal poderia imaginar ele
como seria tratado a partir daí. Claro, para estar nesse tipo de pacote da
copa, jamais poderia ser um bancário. Tratava-se de um jovem banqueiro. E
comoçou a ser paparicado por usineiros, empresários, fazendeiros e outros
ricos quetais. Convidado para jantares quase toda noite. Nunca pagou nada.
Dependuraram-se no saco dele. Ele, esperto, ficou na dele. Hoje já está até
arranhando o francês e outro dia até ganhou um torneio de tênis aqui no
hotel. Depois me contou que aprendeu a jogar tênis pegando bolinha lá no
Juventus, na Mooca, em São Paulo.
Ninguém sabia de nada. Nos
dias de jogo ele se vestia, se pintava todo e ia com todo mundo para o estádio
em Paris, Nantes ou Marselha. Só que ficava do lado de fora. Antes, vendia o
ingresso, entrava no boteco mais proximo, assistia o jogo pela televisão e
depois pegava o trem-bala de volta.
Na primeira fase o máximo
que ele conseguia era uns trezentos dólares por jogo. Ele torcia para a seleção
ir se chassificando. Cada vitória do Brasil para ele, era a cotação do time
subindo, seus ingressos sendo valorizados. O Brasil não podia perder nenhum
jogo. Era assim que o Gregório torcia.
E assim foi indo. Para você
ter uma idéia, ele conseguiu vender o ingresso do jogo de ontem (que jogo,
hein?) por quase mil e quinhentos dólares. No último jogo ele deve completar
a grana que precisa dar para o agiota.