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Copa is money

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o estado de s. paulo

1998

 


Paris - Nem só a Nike, o MacDonald’s ou o Zagallo ganham dinheiro nessa copa. Vejam o caso do Gregório (o nome é outro, é claro), de Cuiabá.

Bancário, ganha menos de 500 mil por mês. Tem 34 anos e estava casa-não-casa com a Magdala há mais de dez. Faltava o dinheiro para mobiliar a casa. Ele queria do bom e do melhor para a namorada, futura mãe dos seus filhos.

Encontrou um agiota, comprou tudo, casou e mudou. Os juros crescendo, o agiota no pé dele. A mulher engravida. Gregório estava desesperado.

Eis que o destino lhe bate à porta, como diria o linense Fiori Giglioti. Quando comprou um dos eletrodomésticos, concorreu a um mês na copa, tudo pago, primeira classe. Ganhou. Pensou: vendo o pacote, pago os dez pau que devo e ainda sobra. Só que não podia vender. Tinha que vir.

Foi quando ele e Magdala, vendo televisão aí no Brasil, ainda antes da copa, ficam sabendo que os ingressos por aqui estavam valendo uma nota. Não deu outra. Gregório embarcou e caiu aqui no Meridian-Etoile, ao lado do Arco do Triunfo.

E aqui só tem rico ou jornalista. E ele, no meio. Não falava uma palavra em francês e, sem contar a sua história foi se enturmando. Até que um dia, numa rodinha lá no saguão, um usineiro perguntou qual era o ramode negócio dele e ele disse:

- Banco!

Mal poderia imaginar ele como seria tratado a partir daí. Claro, para estar nesse tipo de pacote da copa, jamais poderia ser um bancário. Tratava-se de um jovem banqueiro. E comoçou a ser paparicado por usineiros, empresários, fazendeiros e outros ricos quetais. Convidado para jantares quase toda noite. Nunca pagou nada. Dependuraram-se no saco dele. Ele, esperto, ficou na dele. Hoje já está até arranhando o francês e outro dia até ganhou um torneio de tênis aqui no hotel. Depois me contou que aprendeu a jogar tênis pegando bolinha lá no Juventus, na Mooca, em São Paulo.

Ninguém sabia de nada. Nos dias de jogo ele se vestia, se pintava todo e ia com todo mundo para o estádio em Paris, Nantes ou Marselha. Só que ficava do lado de fora. Antes, vendia o ingresso, entrava no boteco mais proximo, assistia o jogo pela televisão e depois pegava o trem-bala de volta.

Na primeira fase o máximo que ele conseguia era uns trezentos dólares por jogo. Ele torcia para a seleção ir se chassificando. Cada vitória do Brasil para ele, era a cotação do time subindo, seus ingressos sendo valorizados. O Brasil não podia perder nenhum jogo. Era assim que o Gregório torcia.

E assim foi indo. Para você ter uma idéia, ele conseguiu vender o ingresso do jogo de ontem (que jogo, hein?) por quase mil e quinhentos dólares. No último jogo ele deve completar a grana que precisa dar para o agiota.