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COM QUANTOS PAUS SE FAZ UMA CANOA?

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o estado de s. paulo

1998

 


Tudo indica que vem aí um dinheiro novo, como diz o ministro Fernando Henrique Cardoso, do alto da sua contagiante simpatia. Por enquanto, esta moeda está sendo chamada de URV. Ou seria UVR? Tanto faz, já que são tantas as siglas neste país que ninguém entende mais nada. O que importa é que, daqui a uns meses, este dinheiro vai ter que ter um nome. É como o filho que a gente espera. Enquanto aguarda vai pensando em vários nomes. Chega de cruzeiros ou cruzados, novos ou antigos.

E, se me permite o amigo ministro, vai aqui muma modesta contribuição. Qual foi a nossa primeira moeda? Qual era o valor brasileiro no começo do século 16? Foi, sem dúvida alguma, o Pau-Brasil. Não era uma moeda oficial, mas, naquela época, era o que valia. Depois dos portugueses levarem a madeira para a construção das suas igrejas, outros europeus estiveram aqui atrás do tal pau. Franceses, holandeses, etc.

O Pau-Brasil, então, valia mais que um punhado de dólares de hoje. Vamos prestar uma homenagem à nossa primeira riqueza e vamos chamar a nova moeda de Pau-Brasi! Claro que Pau-Brasil é um nome um pouco grande e iria dar trabalho nos plurais. Seria Paus-Brasil ou Pau-Brasis? Ia dar confusão. Vamos, portanto, tirar o Brasil e ficar apenas com o Pau.

Minha gente, não é de hoje que o dinheiro chama-se Pau, aqui no Brasil. Pergunta-se um preço e logo dizem: dez paus. Cento e cinco mil paus. Dois milhões de paus! Estaríamos assim, senhor ministro, facilitando a dificuldade que a nova moeda vai trazer. Nosso dinheiro sempre se traduziu em paus e, então, não custa nada oficializar. Oficialmente seria Pau-Brasil, mas no linguajar da massa, Pau. Nos cheques também: cento e trinta e cinco mil e duzentos paus.

Evidente que as mulheres vão logo reclamar desta solução machista (segundo elas). Calma, meninas. Falta o centavo. Poderíamos chamar o centavo de Seio. Você poderia fazer uma comprar e fazer o cheque: vinte e dois paus e trinta e sete seios.

Isto tudo facilitaria muito a vida dos futuros ministros quando, daqui a algums anos, inevitavelmente, terão que cortar três zeros do velho Pau. Neste caso, a imprensa diria que o ministro está pensando em fazer uma fimose no Pau. Ficaremos, mais uma vez, como sempre dizem eles, com oum novo Pau, o Pau Novo. Um Pau muito mais forte que o antigo Pau. E os Seios, ali, firmes.

Evidentemente que as empreiteiras iam todas correr atrás do Pau para toda obra. E, na CPI dos futuros orçmentos, todos ficarão, como hoje, com a maior cara de Pau.

Evidentemente que os maridos ao se separarem jurariam não dar mais nenhum Pau para as esposas.

Evidentemente que os alunos que levassem pau no fim de ano, não receberiam nenhum Pau no natal.

Evidentemente que os futuros sogros perguntariam para as filhas quantos paus tem o pretendente, já que elas, inevitavelmente, irão entrar com, pelo menos, dois seios.

Evidentemente que quando a conversa ficar pau, é porque se está faltando pau na economia brasileira.

Evidentemente que vai surgir aquele Pau que não fica nã mão de ninguém, aquele Pau sujo, aquele Pau que precisa ser lavado, o popular pau de sebo, onde se colocam aos Paus lá em cima.

Evidentemente que, quando o ministro fica por aí dizendo que vem logo a paulada, é porque ele concorda comigo.

É claro que o Paulo Maluf e o ex- pianista já transfomaram há muito tempo o dólar em Pau-Brasil...