A
foto era colorida. Com o Morumbi lotado, tarde bonita, um goleiro no ar segura
a bola. É do São Paulo. Na sua frente, um aloirado do Corinthians. Perto
dele, esperando um rebote, um crioulinho. Lá no fundo, quase desfocado mais
um crioulo corintiano. Se quiser sacanear alguém é só pedir o nome da fera.
A direita, o único que eu reconheci: o Procópio, aquele de Minas, com a
camisa do São paulo, a listrada. Mas no e-mail que atachou-me (que verbo!) a
foto, dizia:
Quem é o goleiro?
Só isso. E era do Mateus, americano sempre a me desafiar nesta área. Nesta
pequena área. 23:01. O filho da puta deve estar sentado na casa dele
esperando. Deve imaginar que eu não sei quem é aquele goleiro. Eu não sei
quem é aquele goleiro. Juro que parecia com o Poy, argentino. José Poy. Mas
o Poy era dos anos cinquenta. E a foto estava muito boa.
O Rodrigão deve saber. Ligo, ele está.
- Vou te mandar um e-mail. Quem é o goleiro?
Ele devia estar quase dormindo. Mas futebol bate rápido nele. Parece que eu
vi ele pulando da cadeira:
- Que time?!
- Te mandando por e-mail.
E mandei. 23:06. O Mateus não perde por esperar.
Vou dar cinco minutos e entrar lá.
Vou entrar. Nada!
Não há itens neste modo de edição
Cadê a porra do livro do São Paulo, do Helena?
Vai ver o Rodrigo também quer dar uma de macho pra cima de mim, também não
vai dormir sem saber quem é aquele porra daquele goleiro. Conheço o menino.
Estou achando que, daqui a pouco, vamos saber quem é.
Prata,
você sabe quem é o goleiro? Pode me dizer ainda hoje?
abs. mateus
______________Cabeçalho da Remessa________________
Autor: NIKA SANTOS
Data: 10/05/2000 21:46
Isso não saía da minha cabeça. E a ameaça sarcástica: ainda hoje!, ele
fez questão. Porra, o cara me manda um e-mail às 21:46 e só me dá 02:14
para definir? Tudo bem. Confio no amigo do Rodrigão. O Rodrigão é amigo do
Vampeta, pra você ter uma idéia da fera. E me disse que o Dida é muito
triste. Acho que um cara que sabe essas coisas, sabe quem é aquele goleiro.
Ou não?
Entrei lá de novo. Nada do Rodrigo. Não tenho mais dúvidas: ele mandou para
alguém. E esse alguém, sabendo que a coisa já passou por três, vai
caprichar, fazer o possível e o impossível pra descobrir. Porque, eu estou
aqui pensando, se o Rodrigo mandou pra ele é porque o Rodrigo respeita o
cara. Não vai deixar toda esta rede na mão. O cara dele deve ser fodão.
Já se foram duas páginas, quatrocentos e duas palavras, um mil, setecentos e
sessenta e seis caracteres (sem espaços), dois mil cento e cinquenta e sete
caracteres (com espaço), vinte e três parágrafos, cinquenta e uma linhas
(aliás, cinquenta e duas) e nada!
Claro que se - supondo - o amigo do Rodrigo não souber - o que eu duvido -
ele deve conhecer alguém bem mais enciclopédico do que ele. Claro, a gente
ainda vai chegar no e-mail do Armando Nogueira daqui a pouco.
Mas a gente descobre. Já somos quatro e, com a possibilidade de acionar o
Armando, cinco.
Vou fumar um cigarrinho, agora.
Vou ser sincero com você. Agora já são duas da manhã e nada. Vou entrar,
pela última vez no outlook.
Veja o que estava lá
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Pratinha:
lembra de
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>mim?
Sou o Chicão,
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>da
Padaria Linense.
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Estou
morando aqui
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>no
interior do
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Tocantins
e um
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>amigo
meu de
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>Parintins
me
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>desafiou
a saber
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>quem
é este goleiro
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>que
estou te
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>atachando.
Se você
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>estiver
acordado,
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>pode
mandar. Tenho
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>certeza
que você vai
>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>me
quebrar essa.