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Coisas que não evoluem

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Revista BCP

  /04/2003

 


O guarda-chuva, por exemplo. Segundo o Houaiss: "objeto portátil que consiste em uma armação flexível de hastes metálicas coberta por pano ou outro material que se estica ao abrir-se a armação, protegendo da chuva ou do sol o seu portador". Pois ele é isto aí desde que foi inventado, sabe-se lá por quem e onde. Não evoluiu, é o mesmo há séculos. Alguns ficaram coloridos, concordo.

Mas isto foi tudo.

O revólver, desde que Mr. Colt o inventou para que pudessem existir os filmes de bangue-bangue, é a mesma coisa. Muda o calibre, o tamanho, mas o revólver que mata hoje é igualzinho ao do Buffalo Bill ou do Jesse James. Houaiss: "arma de fogo manual, de repetição e de porte individual, cujo depósito de cartuchos é constituído por um tambor com várias culatras, e que permite tantos tiros quantas forem as cargas que contiver esse tambor". Desde 1881.

Puseram um filtro no cigarro, fizeram-no light e até com sabor de hortelã. Mas o jeitão é o mesmo.

Impressionante.

E me diz: por que a pizza é (e sempre foi) redonda? E por que sempre foi cortada daquele jeito, em fatias? Qual seria o problema de uma pizza quadrada, cortada em quadradinhos?

E, cá entre nós, a crônica também não evoluiu. Mas nem deve. Pois a palavra vem de Kronos, grego, que significa tempo. Portanto a crônica - isto aqui que você está a ler - tem esta função de registro.

No caso aqui, mostrando que o tempo não muda muita coisa. Encerro, mais uma vez, com o dicionário: "Originalmente a crônica limitava-se a relatos verídicos e nobres; entretanto, grandes escritores a partir do século XIX passam a cultivá-la, refletindo com argúcia e oportunismo, a vida social, a política, os costumes, o cotidiano etc. do seu tempo em livros, jornais e folhetins." O que não poderiam imaginar é que ela viria por cortesia de uma empresa telefônica.