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Coisas das leitoras

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o estado de s. paulo

10/04/2002

 


Se você leu a crônica da última quarta-feira, vá em frente. Se não leu, entre em www.estado.com.br e, lá no finalzinho do site clique em colunistas. Clique no meu nome e vai estar a de hoje. Mas, ao lado, em "edições anteriores", você acha a de quarta passada. Foi, leu, voltou? Então vamos lá.

Nunca recebei tantos e-mails e cartas e telefonemas. Selecionei aqui alguns. São de mulheres e homens e a idade varia entre 20 e 40 anos. Fume com eles.

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 Quanto à matéria em questão, parabéns. Só que essa coisa pega. Não resisti. Lá vai.

 Insistindo no menas, passando pelo seje e esteje, estancando no fazem 500 anos que este país é uma gosma, porque sempre houveram políticos bandidos, enfim, todas estas pérolas de nossa vã sabedoria, eu, fumante invertebrada e, portanto, cidadã de 3.ª categoria, caso acenda um cigarro no shopping, serei, é claro, a culpada por espalhar a pestilência e todos os demais cânceres pelos ares e mares deste des-Brasil tão asséptico e imaculado!

 "Santo fincado seja o nosso nome", do jeitinho que cartilhas outras não rezam por nós. Pai nosso! Enquanto grassam o lixo e a dengue, a leptospirose, a verminose, a tuberculose, a febre amarela, verde, azul-anil - na síndrome da descultura - o ministério jamais adverte. Se diverte. O ministro - no caso, da doença - sempre foi meio xarope: por exemplo, ao invés de erradicar os jeca-tatus, combateu fervorosamente o Biotônico Fontoura. Proibiu o Merthiolate - já que o mercúrio é veneno -, mas não se lembrou de convocar os brasileiros - aqueles em quem dentes ainda restem - para substituírem as obturações de amálgama. Ele alardeia a vacinação contra a gripe, mas não menciona que o veículo da dita cuja é o tal do tiomersal. Nocivozinho? Pois bem. Ele também apregoa a implantação dos genéricos a preços módicos, a fim de que os brasileiros se automediquem com mais afinco e de que os mérdicos possam errar com mais assiduidade e conforto. Jamais uma embalagem de remédio traz em letras garrafais: "O ministério adverte: esta droga, mesmo em dosagem prescrita, pode ser veneno mortal!"

 Eu sugeriria que nas portas de todos os McDonald's estivesse escrito: "O ministério adverte: o colesterol mata"; que nas garrafas de Coca-Cola aparecesse o aviso: "Este produto causa vício propagandístico"; que nas traseiras dos ônibus e caminhões, logo abaixo do escapamento, se pudesse ler: "Esta fumaça é muito mais cancerígena do que a do cigarro"; que antes das programações das Globos e dos SBTs viesse a advertência: "O próximo programa instaura em você a mais solene burrice"; que nas apresentações dos grandes autistas da "música pra-pular brasileira" aparecesse a advertência: segundo o ministério, "A próxima apresentação embota por completo a sua sensibilidade estética"; que nas portas das escolas a advertência fosse: "Aqui, inclusive, você desenvolverá a preguiça, a prepotência e o desrespeito aos outros": somos uns complacentes!

 Enfim, que na abertura da legislação penal brasileira, viesse a epígrafe: "O ministério adverte: este Código te mata de estresse, porque propicia aos juristas canalhas a absolvição de todos os homens públicos que roubam e por isso não fazem e que, portanto, te condenam à pena de vida. Desta vida brasileira. Completamente despaisada. Seja você fumante, ou não."

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 Mario, eu tenho o hábito de ler o jornal todo dia de manhã, enquanto estou fazendo minhas abluções matinais, e o meu dia começa muito melhor depois de ler suas crônicas. Essa do cigarro é sensacional. Eu e mais alguns milhões de fumantes, tenho certeza, pensamos igual. Sou sua fã faz muito tempo. Outra sugestão é fechar todas as fábricas de cigarro, não acha? Porque todo mundo fica enchendo a gente pra parar de fumar, porque é uma droga muito prejudicial, e logo na esquina podemos comprar essa droga de todos os preços e marcas, a escolher? Aliás, tenho falado muito isso com os meus amigos médicos, porque eles é que deveriam pressionar o responsável pela saúde pública para acabar com a fabricação dessa droga tão maligna! Se lançarem essa campanha, tô dentro, porque não há coisa pior do que essa culpa que a gente tem em cada cigarro que acende.

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 Sendo uma leitora assídua do Estadão, não perco suas crônicas. Simplesmente adoro-as, todas, é difícil aquela que não me faça rir e se não for pra rir, para concordar. Esta de ontem (3/4/2002) foi excelente. Não sou fumante, mas nunca me importei com a fumaça e simplesmente acho que todo ser humano tem o direito de fazer com sua vida o que quiser e se o cigarro o deixa feliz, que fume sem culpas ou neuroses, tenho certeza que, sendo assim, a probabilidade de fazer mal é ínfima.O bem estar íntimo é mais importante.

 O que achei mais bárbaro foram suas comparações - todas sem exceção - corretíssimas. Parabéns pela sua facilidade e clareza no colocar suas idéias no papel. Todos os cidadãos honestos e honrados neste país concordam com você. Não seria muito melhor um país cheios de fumantes inveterados, mas com políticos honestos e trabalhando para o bem de seu, nosso país?

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 Nota dez. Muito obrigado por tudo que já escreveu. Agora, pela de hoje é dez com louvor. Saúde, saúde, saúde.

 Deixei de fumar já há muitos anos. Fumaça de cigarro realmente me incomoda, porém Mario Prata acertou mais do que na veia em seu texto publicado em 3 de abril de 2002. E que todos os políticos, não só os de Brasília, vão se danar!!!

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 Faço das suas as minhas palavras, pois sempre abro os jornais procurando por letras que sintetizem as minhas idéias. Dificilmente as encontro.

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 Adorei sua crônica de hoje. Uma pergunta que para mim é pertinente: Será que sou eu que espero muito do meu país? Eu sempre concluo que o que ele me oferece é muito, muito pouco.

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 Concordo plenamente quanto aos candidatos para presidente. Não temos nenhum, absolutamente nenhum com quem possamos nos identificar. E ainda temos que agüentar declarações de indivíduos como Delfim Netto. O Brasil não tem memória. Como deixa um signatário do AI-5 e um dos principais causadores da dívida externa no tempo da ditadura, que nos colocou neste buraco, emitir opiniões e pareceres econômicos agora? Ele também deveria ter um carimbo nas cccostas (assim mesmo ccc): "Eu assinei o AI-5."

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 Eu não fumo, mas assino embaixo, já que concordo com tudo que você escreveu. Pau nesta cambada de incompetentes, corruptos, tarados, que tanto mal causam ao pobre povo brasileiro. Por muito menos, aqui na Europa está cheio desse tipo de gente na cadeia.

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 E atrás das garrafas de uísque escocês, não vai nada?