Se você leu a crônica da última quarta-feira, vá em frente. Se não leu,
entre em www.estado.com.br e, lá no finalzinho do site clique em
colunistas. Clique no meu nome e vai estar a de hoje. Mas, ao lado, em
"edições anteriores", você acha a de quarta passada. Foi, leu, voltou?
Então vamos lá.
Nunca recebei tantos e-mails e cartas e telefonemas.
Selecionei aqui alguns. São de mulheres e homens e a idade varia entre
20 e 40 anos. Fume com eles.
*
Quanto à matéria em questão, parabéns. Só que essa coisa
pega. Não resisti. Lá vai.
Insistindo no menas, passando pelo seje e esteje,
estancando no fazem 500 anos que este país é uma gosma, porque sempre
houveram políticos bandidos, enfim, todas estas pérolas de nossa vã
sabedoria, eu, fumante invertebrada e, portanto, cidadã de 3.ª
categoria, caso acenda um cigarro no shopping, serei, é claro, a culpada
por espalhar a pestilência e todos os demais cânceres pelos ares e mares
deste des-Brasil tão asséptico e imaculado!
"Santo fincado seja o nosso nome", do jeitinho que
cartilhas outras não rezam por nós. Pai nosso! Enquanto grassam o lixo e
a dengue, a leptospirose, a verminose, a tuberculose, a febre amarela,
verde, azul-anil - na síndrome da descultura - o ministério jamais
adverte. Se diverte. O ministro - no caso, da doença - sempre foi meio
xarope: por exemplo, ao invés de erradicar os jeca-tatus, combateu
fervorosamente o Biotônico Fontoura. Proibiu o Merthiolate - já que o
mercúrio é veneno -, mas não se lembrou de convocar os brasileiros -
aqueles em quem dentes ainda restem - para substituírem as obturações de
amálgama. Ele alardeia a vacinação contra a gripe, mas não menciona que
o veículo da dita cuja é o tal do tiomersal. Nocivozinho? Pois bem. Ele
também apregoa a implantação dos genéricos a preços módicos, a fim de
que os brasileiros se automediquem com mais afinco e de que os mérdicos
possam errar com mais assiduidade e conforto. Jamais uma embalagem de
remédio traz em letras garrafais: "O ministério adverte: esta droga,
mesmo em dosagem prescrita, pode ser veneno mortal!"
Eu sugeriria que nas portas de todos os McDonald's
estivesse escrito: "O ministério adverte: o colesterol mata"; que nas
garrafas de Coca-Cola aparecesse o aviso: "Este produto causa vício
propagandístico"; que nas traseiras dos ônibus e caminhões, logo abaixo
do escapamento, se pudesse ler: "Esta fumaça é muito mais cancerígena do
que a do cigarro"; que antes das programações das Globos e dos SBTs
viesse a advertência: "O próximo programa instaura em você a mais solene
burrice"; que nas apresentações dos grandes autistas da "música
pra-pular brasileira" aparecesse a advertência: segundo o ministério, "A
próxima apresentação embota por completo a sua sensibilidade estética";
que nas portas das escolas a advertência fosse: "Aqui, inclusive, você
desenvolverá a preguiça, a prepotência e o desrespeito aos outros":
somos uns complacentes!
Enfim, que na abertura da legislação penal brasileira,
viesse a epígrafe: "O ministério adverte: este Código te mata de
estresse, porque propicia aos juristas canalhas a absolvição de todos os
homens públicos que roubam e por isso não fazem e que, portanto, te
condenam à pena de vida. Desta vida brasileira. Completamente despaisada.
Seja você fumante, ou não."
*
Mario, eu tenho o hábito de ler o jornal todo dia de
manhã, enquanto estou fazendo minhas abluções matinais, e o meu dia
começa muito melhor depois de ler suas crônicas. Essa do cigarro é
sensacional. Eu e mais alguns milhões de fumantes, tenho certeza,
pensamos igual. Sou sua fã faz muito tempo. Outra sugestão é fechar
todas as fábricas de cigarro, não acha? Porque todo mundo fica enchendo
a gente pra parar de fumar, porque é uma droga muito prejudicial, e logo
na esquina podemos comprar essa droga de todos os preços e marcas, a
escolher? Aliás, tenho falado muito isso com os meus amigos médicos,
porque eles é que deveriam pressionar o responsável pela saúde pública
para acabar com a fabricação dessa droga tão maligna! Se lançarem essa
campanha, tô dentro, porque não há coisa pior do que essa culpa que a
gente tem em cada cigarro que acende.
*
Sendo uma leitora assídua do Estadão, não perco suas
crônicas. Simplesmente adoro-as, todas, é difícil aquela que não me faça
rir e se não for pra rir, para concordar. Esta de ontem (3/4/2002) foi
excelente. Não sou fumante, mas nunca me importei com a fumaça e
simplesmente acho que todo ser humano tem o direito de fazer com sua
vida o que quiser e se o cigarro o deixa feliz, que fume sem culpas ou
neuroses, tenho certeza que, sendo assim, a probabilidade de fazer mal é
ínfima.O bem estar íntimo é mais importante.
O que achei mais bárbaro foram suas comparações - todas
sem exceção - corretíssimas. Parabéns pela sua facilidade e clareza no
colocar suas idéias no papel. Todos os cidadãos honestos e honrados
neste país concordam com você. Não seria muito melhor um país cheios de
fumantes inveterados, mas com políticos honestos e trabalhando para o
bem de seu, nosso país?
*
Nota dez. Muito obrigado por tudo que já escreveu. Agora,
pela de hoje é dez com louvor. Saúde, saúde, saúde.
Deixei de fumar já há muitos anos. Fumaça de cigarro
realmente me incomoda, porém Mario Prata acertou mais do que na veia em
seu texto publicado em 3 de abril de 2002. E que todos os políticos, não
só os de Brasília, vão se danar!!!
*
Faço das suas as minhas palavras, pois sempre abro os
jornais procurando por letras que sintetizem as minhas idéias.
Dificilmente as encontro.
*
Adorei sua crônica de hoje. Uma pergunta que para mim é
pertinente: Será que sou eu que espero muito do meu país? Eu sempre
concluo que o que ele me oferece é muito, muito pouco.
*
Concordo plenamente quanto aos candidatos para
presidente. Não temos nenhum, absolutamente nenhum com quem possamos nos
identificar. E ainda temos que agüentar declarações de indivíduos como
Delfim Netto. O Brasil não tem memória. Como deixa um signatário do AI-5
e um dos principais causadores da dívida externa no tempo da ditadura,
que nos colocou neste buraco, emitir opiniões e pareceres econômicos
agora? Ele também deveria ter um carimbo nas cccostas (assim mesmo ccc):
"Eu assinei o AI-5."
*
Eu não fumo, mas assino embaixo, já que concordo com tudo
que você escreveu. Pau nesta cambada de incompetentes, corruptos,
tarados, que tanto mal causam ao pobre povo brasileiro. Por muito menos,
aqui na Europa está cheio desse tipo de gente na cadeia.
*
E atrás das garrafas de uísque escocês, não vai nada?