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CLINTON MATA A COBRA E NÃO MOSTRA O PAU

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ISTOÉ

21/01/98

 


Clinton - Well, em primeiro lugar, senhora Juíza, gostaria de informar à Corte que o FBI me informou que a senhora Paula Jones mudou de nome na adolescência. Na verdade ela se chamava Paula Bones, e bones é osso. Os amigos da high school a chamavam de Paula Boner, e boner significa casquinha de sorvete, coisa que ela gostava muito de...

Promotor - Protesto, meritíssima!

Juíza - Senhor presidente, limite-se, por favor, a responder às perguntas.

Promotor - Senhor presidente, o senhor confirma que esteve hospedado no Cock Hotel, em Little Rock, em Arkansas em 1961, no dia...

Clinton - Steve!

Promotor - Protesto! Steve é o nome do marido de Paula Jones!

Juíza - Senhor presidente, contenha-se. Não seja hylário! Controle seus hormônios!

Promotor - O senhor se lembra deste dia? Do quarto? Da noite?

Clinton - Estava no sexto andar. Apartamento sessenta e nove. Não me lembro bem. Sei que tinha um seis ou um nove.

Promotor - O senhor, então governador do estado, teria chamado a funcionária pública, senhora Paula Jones, ao seu apartamento, abaixado as calças e sugerido um sexo oral?

Clinton - Jamais proporia isso a uma mulher que tem as unhas que ela tem. Enormes, vermelhas e quadradas nas extremidades. Sem falar nos joanetes.

Promotor - Qual o problema com as unhas grandes, senhor presidente?

Clinton - É que eu gosto de...

Advogado de Defesa - Senhora Juíza, data vênia, isso não vem ao mérito da questão! Protesto veementemente! São particularidades idiossincráticas do senhor presidente que, absolutamente, gostaria que fossem respeitadas.

Promotor - O senhor confirma ou não que arriou as calças?

Clinton - Para quem? Para Netanyahu? Hussein?

Juíza - Atenha-se aos fatos. Estamos discutindo o caso Paula Jones. O senhor confirma que arriou as calças e sugeriu um sexo oral?

Clinton - Para poder confirmar, teria que ter afirmado antes. Portanto... Nunca vi essa senhora na minha vida.

Promotor - A senhora Paula Jones afirma ter visto o sexo do senhor e que poderia reconhecê-lo, pois existe nele uma particularidade, um, digamos, sinal.

Clinton - Como assim?

Promotor - Uma cicatriz, uma marca, uma tatuagem. Algo roxo, por exemplo.

Clinton - Por favor, não me confunda com o presidente da Bolívia! Tatuagem?

Promotor - Por exemplo: uma foice e martelo, um I Love Hillary, Abajo Fidel... Ou mesmo um defeito anatômico. Ser mais para a direita. Ou para a esquerda.

Clinton - Meritíssima, eu não estou aqui para discutir minhas tendências políticas.

Advogado de Defesa - Senhores membros do júri, posso garantir que o membro do senhor presidente é absolutamente normal. Um membro americano como tantos outros aqui nesta sala.

Juíza - Senhora Paula Jones, por favor, aproxime-se. Coloque este par de luvas.

Paula - Pois não, meritíssima.

Promotor - A senhora poderia dizer qual é a particularidade do membro do senhor presidente?

Todos - Ooohhhhhhh!!!

Advogado de Defesa - Protesto. Um presidente da república não pode...

Juíza - Acato a decisão da promotoria. Senhora Paula Jones, por favor, aqui no meu ouvido.

Paula - Pois não.

Juíza - Oooooohhhhh!!!

Promotor - Ooooohhhhhh!!!

Juíza - Obrigada, senhora Paula Jones. Senhor presidente, por favor, mostre o seu membro aos membros.

Advogado de Defesa - Protesto! Nunca um presidente da república dos Estados Unidos da América mostrou o seu, em público. Nem mesmo John Kennedy!

Juíza - Protesto ignorado. Senhor presidente, por favor, faça a gentileza. Senhora Paula Jones, por favor, aproxime-se e confirme se foi este mesmo membro o que a senhora viu, hirto, há sete anos atrás. Por favor, coloque as luvas, novamente. Se for necessário, para bem da verdade, pode pegar.

Paula - Senhora Juíza, o reconhecimento está difícil, uma vez que no primeiro contato que tive com ele, ele não estava assim, em repouso completo. Entende?

Clinton - Hillary!..

Juíza - Senhor Presidente, vá até a sala ao lado e depois, por favor, apresente seu membro em melhores, digamos, condições. Para bem da América e do mundo!

Clinton - Assim, a seco? Tem uma Playboy aí?

 

(depois do tumulto, o julgamento foi adiado para o final de maio, num dia em que o presidente deverá depor novamente, em melhores condições, com altivez, diante dos cabisbaixos membros do, digamos, júri)