Já vou avisando a habitual leitora que a crônica de
hoje vai ser chata. Meio, só. Chatinha, digamos.
Não, não é sobre futebol. Mesmo porque, no título já
deu para ver que Ciro e Lula não são volantes de nenhum time. Embora os
dois tenham cara de quem sabe bater numa bola de trivela. Dizem que o Lula
já foi ponta-esquerda e o Ciro meio-de-campo avançado.
E também não é por falta de assunto, a chatice. É que
o meu querido Lula está se enganando de novo. Vai perder de novo. Sim,
está na frente, com os trintinha dele. E foi sempre assim. No segundo
turno vai continuar com os mesmos trinta. Eu, se fosse ele, ia morrer de
vergonha. Que ilusão quadrienal é essa que nem bate nas bases? Ele está
batendo o recorde do Ruy Barbosa, aquele de Haia, que se candidatou só
duas ou três vezes. E foram poucas as águias que acreditaram no discurso
empolado dele. Também, dizem que falava em latim.
O probleminha do Lula é que a classe média não vai
suportar um ex-metalúrgico como presidente. Tem que ser de sociólogo para
cima. A classe média tem medo do Lula e a desculpa - esfarrapada - é
sempre a mesma: não tem experiência administrativa. É aquela nossa velha
hipocrisia brasileira.
Quanto ao Ciro, também não vai ser desta vez. Tanto a
esquerda quanto a direita dizem que ele é um novo Collor. Acho que é mais
por ser cearense (de Pindamonhangaba, mas é), que andam implicando com
ele. Mas esse tem experiência administrativa. Foi prefeito e governador.
E, dizem, excelente. E acho muito difícil aparecer uma nova dupla como
Collor & Rosena. Eles são únicos e imbatíveis. E onde é que o Ciro
arrumaria um PC daquele? O Ciro - me parece - é muito limpo. Limpinho
mesmo.
Agora vamos juntar os dois. Um aliança que o PT -
cada vez mais orgulhoso - não vai topar nem que a vaca tussa: Ciro para
presidente e Lula para vice. O que é que o Lula ganha com isso (além da
humildade?) Ganha que vai ficar lá dentro quatro anos, pegando
experiência, como diria a classe média. Depois disso, conhecendo a coisa
lá de perto, vendo erros e acertos, vendo como é que a coisa rola mesmo,
sai ele, Lula, para presidente. Experiente e imbatível. Seus trinta
virarão sessenta.
Sei que estou escrevendo bobagens, minha senhora. Mas
vou continuar com a minha idiotice.
Sem contar, cara, que vamos ter uma primeira-dama
daquelas. A moça, finíssima, culta, boa atriz e filha de general, tem uma
cabeça muito boa. Estive com ela duas ou três vezes e fiquei muito bem
impressionado. Estou falando da cabeça dela, porque o resto, você pode
conferir num ensaio maravilhoso que o Miro fez e anda circulando por aí
numa belíssima edição. E, sendo filha de general, no Brasil é sempre bom
ter um general por perto. Mesmo de pijamas. Vai ser a primeira vez que o
Brasil terá um primeiro-sogro general. Acho que, no Brasil, só faltava
isso para o pessoal da caserna (não sei por que, mas sempre impliquei com
essa palavra). De pijama e primeiro-sogro.
Ao mesmo tempo a batalhadora esposa do vice-Lula,
aprenderia muito com a meiga Patrícia.
Por que, se perigar, até mesmo o Itamar pode ser
eleito e fazer aquelas coisas dele: fusca, moça sem calcinha, fora o
topete que, cá entre nós, me irrita. E está cada vez mais e mais pontudo,
já reparou? Onde será que aquilo vai parar, meu Deus do céu??
Outra coisa que eu não entendo é por que o PT insiste
sempre com o Lula. Tem lá o Genoíno, o Mercadante e o Hélio Bicudo. Mas aí
o PT vai dizer: mas esses caras vão ter 10%. Concordo. No começo. Mas
sobem. Acho que o Lula cismou. Parece birra de criança.
Portanto, é isso: Ciro para presidente e Lula para
vice.
No mais, e mudando completamente de assunto, sugiro a
você que entre no site do IG e procure a coluna do Fernando Morais para
ler a crônica chamada Aos Apreciadores de Bons Livros. Não, não é de mim
que ele fala, não.
E um outro assunto, para encerrar: estou escrevendo
um livro sobre o dedo mindinho para a editora Objetiva, no projeto Cinco
Dedos de Prosa. Já saíram dois, o Cony, com O Indigitado (dedo indicador),
e a Fernanda Young com O Efeito Urano (dedo médio, embora seja o maior). O
meu mindinho sai em março. É que eu estou há alguns meses pesquisando o
mindinho. E pessoas que não têm o mindinho (Lula, por exemplo).
E uma moça, a Fabiana, filha do meu amigo Antoine
Chrissovergis, me perguntou:
- O que seria da Ana Paula Arósio se ela não tivesse
o mindinho?