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o estado de s. paulo

16/11/95

 


Num domingo ensolarado de 1953, lá na noroeste.

São Paulo Futebol Clube, "o mais querido", invicto há 23 partidas, lider absoluto da primeira divisão, foi jogar na minha Lins contra o Clube Atlético Linense, "o elefante da noroeste", recém-promovido à elite do futebol paulista.

Foi então que o fato se deu.

O estádio (cognominado "O Gigante de Madeira") totalmente lotado. Gente da cidade e de toda a região. Chamaram o seu Palmiro, que tinha um fordinho e andava pela cidade fazendo reclames de lojas e armarinhos num possante alto-falante, para anunciar as duas equipes momentos antes do jogo.

O juiz era o mais famoso e conhecido da época. Chamava-se Telêmaco Pompeu. Hoje, se não me engano ele é juiz de lutas amadoras de boxe.

O que ninguém sabia e nem desconfiava era que o seu Palmiro (repentista nas horas vagas) não entendia nada de futebol, conforme se vai ver a seguir.

Antes de começar a partida, depois da banda tocar e os rojões estourarem, entra a voz tonitruante e pausada do seu Palmiro, emocionado mas firme.

"São Paulo Futebol Clube: Poy, De Sordi e Mauro. Pé de Valsa, Bauer e Alfredo. Maurinho, Albeja, Gino, Lanzoninho e Canhoteiro. Clube Atlético Linense: Herrera, Ruy e Noca. Geraldo, Frangão e Ivan. Alfredinho, Américo, Washington, Próspero e Alemãozinho".

Até aí ia tudo bem. Mas quando ele foi anunciar o juiz Telêmaco Pompeu que tudo se deu:

"Será juiz da contenda o senhor Telemáco Pompeu".

Aquele Telemáco fez o estádio vir abaixo. Alguém deu o toque para o seu Palmiro que era Telêmaco e não Telemáco. Seu Palmiro não teve dúvidas e voltou todo solene, para novo e definitivo tropeção:

"Retífico"...

E ninguém ouviu mais nada por causa das gargalhadas que ecoaram pelo Gigante de Madeira.

Em tempo: o Linense ganhou de quatro a um, com três gols do Américo Murolo e um do Alfredinho Sampaio. Gino Orlandi marcou para o ex-invicto, impedido, diga-se de passagem.

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Outra história desta mesma época, anos 50. O genial Ary Barroso (Aquarela do Brasil, entre outras composições) era também animador de auditório, conhecidíssimo boêmio e ainda locutor esportivo e, dizem, dos mais violentos. Pavio curto, dizem os que o conheceram.

E não é que justamente o seu repórter de campo, ainda jovem e começando na carreira, começou a namorar a filha dele? Ary ficou indignado e proibiu a filha de ver o seu colega de trabalho. Aquilo era um absurdo!

A menina, já apaixonada pelo rapaz, ficou mal, muito mal. Foi chorar as pitangas para a mãe, que é como se dizia naquele tempo.

A esposa intercedeu pela filha:

- Mas Ary, um moço tão bom, seu colega e tudo...

- Bom nada! Um boêmio, grunhiu Ary.

- Mas Ary, você também é boêmio.

- Bebe como um gambá!

- Você também, Ary.

- Passa as madrugadas de bar em bar, cantando samba.

- Você também, Ary.

- É, mas acontece que eu não quero comer a minha filha!!!