Num domingo ensolarado de 1953, lá na
noroeste.
São Paulo Futebol Clube, "o mais
querido", invicto há 23 partidas, lider absoluto da primeira divisão, foi jogar na
minha Lins contra o Clube Atlético Linense, "o elefante da noroeste",
recém-promovido à elite do futebol paulista.
Foi então que o fato se deu.
O estádio (cognominado "O Gigante
de Madeira") totalmente lotado. Gente da cidade e de toda a região. Chamaram o seu
Palmiro, que tinha um fordinho e andava pela cidade fazendo reclames de lojas e armarinhos
num possante alto-falante, para anunciar as duas equipes momentos antes do jogo.
O juiz era o mais famoso e conhecido da
época. Chamava-se Telêmaco Pompeu. Hoje, se não me engano ele é juiz de lutas amadoras
de boxe.
O que ninguém sabia e nem desconfiava
era que o seu Palmiro (repentista nas horas vagas) não entendia nada de futebol, conforme
se vai ver a seguir.
Antes de começar a partida, depois da
banda tocar e os rojões estourarem, entra a voz tonitruante e pausada do seu Palmiro,
emocionado mas firme.
"São Paulo Futebol Clube: Poy, De
Sordi e Mauro. Pé de Valsa, Bauer e Alfredo. Maurinho, Albeja, Gino, Lanzoninho e
Canhoteiro. Clube Atlético Linense: Herrera, Ruy e Noca. Geraldo, Frangão e Ivan.
Alfredinho, Américo, Washington, Próspero e Alemãozinho".
Até aí ia tudo bem. Mas quando ele foi
anunciar o juiz Telêmaco Pompeu que tudo se deu:
"Será juiz da contenda o senhor
Telemáco Pompeu".
Aquele Telemáco fez o estádio vir
abaixo. Alguém deu o toque para o seu Palmiro que era Telêmaco e não Telemáco. Seu
Palmiro não teve dúvidas e voltou todo solene, para novo e definitivo tropeção:
"Retífico"...
E ninguém ouviu mais nada por causa das
gargalhadas que ecoaram pelo Gigante de Madeira.
Em tempo: o Linense ganhou de quatro a
um, com três gols do Américo Murolo e um do Alfredinho Sampaio. Gino Orlandi marcou para
o ex-invicto, impedido, diga-se de passagem.
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Outra história desta mesma época, anos
50. O genial Ary Barroso (Aquarela do Brasil, entre outras composições) era também
animador de auditório, conhecidíssimo boêmio e ainda locutor esportivo e, dizem, dos
mais violentos. Pavio curto, dizem os que o conheceram.
E não é que justamente o seu repórter
de campo, ainda jovem e começando na carreira, começou a namorar a filha dele? Ary ficou
indignado e proibiu a filha de ver o seu colega de trabalho. Aquilo era um absurdo!
A menina, já apaixonada pelo rapaz,
ficou mal, muito mal. Foi chorar as pitangas para a mãe, que é como se dizia naquele
tempo.
A esposa intercedeu pela filha:
- Mas Ary, um moço tão bom, seu colega
e tudo...
- Bom nada! Um boêmio, grunhiu Ary.
- Mas Ary, você também é boêmio.
- Bebe como um gambá!
- Você também, Ary.
- Passa as madrugadas de bar em bar,
cantando samba.
- Você também, Ary.
- É, mas acontece que eu não quero
comer a minha filha!!!