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BOCA DE URNA E BOCA DO GARRAFÃO

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o estado de s. paulo

29/09/98

 


Como muito bem observou o Renato Pompeu de Toledo, onde vai o Eymael naquele barquinho? Melhor ainda: onde é que ele pensa que vai? Das naus errantes, quem sabe o rumo, se é tão grande o espaço?, diria o poeta.

É por aí, o buraco, a cascata e a cachoeira. E a cesta. Estamos mesmo numa nau errante. Jogando basquete. Dizem que os paulistas são os mais informados e cultos dos brasileiros. Os mais alfabetizados. Dizem. E eis que parece que nós, paulistas, queremos tirar o Suplicy do Senado para colocar lá o Oscar. A coisa tá por três pontos e o Oscar é bom nesse tipo de arremesso. Ali, não na boca de urna, mas na boca do garrafão. Pense nisso, cara. É mais ou menos a mesma coisa de, numa final de campeonato mundial de basquete, o técnico tirar o Oscar do time, nos momentos decisivos, e colocar o Suplicy com a camisa 13. É querer que o Brasil perca o jogo.

Eu entenderia até trocar pelo João Leite. Afinal, o meu amigo João Leite é o homem - segundo ele - do Fernando Henrique aqui em São Paulo. Mas o Oscar, gente? O Oscar?

O Oscar diz que vai combater as drogas. Quais? Será que ele, em sua invejável carreira de atleta, nunca tomou uma daquelas drogas pesadíssimas que os jogadores costumam curtir numa boa? Será que ele não percebe que não existe droga pior que o padrinho dele?

Impossibilitado de dizer o que pensa, lê texto de publicitários na televisão. Mesmo (ou memo, como ele diz) assim comete seus erros de português. Coitado do Oscar, o manipulado, o jipe-guiado, o neurônio gigante.

O Oscar é apenas um, que fica aqui como exemplo desta nossa nau errante. É muito gostoso rir dele e de outros candidatos no horário político. Mas é preciso o mínimo de seriedade domingo que vem. Candidato louco é o que não falta. Mas você, que está me lendo, não é louco, nem louca. Ou é?

Acho que o Oscar é mais um trote do outro, aquele que fica atrás do abajur verde-quase-musgo-horroroso. Deve ser parente do Rossi que, em toda eleição, tem ejaculação precoce. Explode antes.Talvez seja por isso que o cenário dele lembra aquele lá de Washington, o Salão Oral. Ele sempre goza antes da hora. Depois cai, despenca, sem deixar mancha em nenhum vestido das mocinhas osasquerosas.

O Oscar é da mesma turma do Levy Fidelis, aquela carequinha com cara de bebedor de cerveja, simpático, que faz propaganda da caneta Bic. Pra mim, prêmio revelação do ano. Com medalha de prata para o senador dele.

Mesmo assim, o horário político nos brinda com uma Marta. Um renascimento com sopro de beleza, leveza, seriedade e honestidade. Sobriedade. Perto dela, os demais candidatos parecem estar eternamente de porre. É com essa que eu vou. Por que não? A Marta é um sopro de vida limpa na política brasileira.

Meu Deus, pra onde vai o barquinho do Eymael, esse autêntico democrata cristão? Pra que cascata eles nos dirigem? Prá que precipício eles nos conduz?

Tem de tudo para você escolher domingo. Tem até xerife assumido, tem dona de casa querendo ser presidente da república. Tem até o Serginho Chulapa para deputado. Já pensou? Então pensa.

Sou contra vestibular para se entrar numa faculdade. Mas acho que, para se candidatar a qualquer cargo, tinha que ter um vestibularzinho antes. E, de leve, um teste anti-psicopatas.

O Oscar parece trabalhar de mordomo na casa da família Eneás. Mordomo Oscar. O doutor Enéas, por exemplo. Admiro ele. Conseguiu transformar uma porção de pessoas - que jamais saberemos de onde saíram - em clone dele. Aquilo é, indubitavelmente, uma família. O partido não se chama Clona, ou algo parecido? Fico imaginando os filhos deles vendo o pai (e a tia Havanííííir) na televisão. Essas crianças vão crescer com problemas.

Tirar o Suplicy, um dos maiores senadores que a nossa República já teve, para colocar um cestinha? Pelo amor de Deus!

E pra encerrar: vou votar no Ciro. Se é que isso lhe interessa.