Como muito bem observou o Renato Pompeu
de Toledo, onde vai o Eymael naquele barquinho? Melhor ainda: onde é que ele pensa que
vai? Das naus errantes, quem sabe o rumo, se é tão grande o espaço?, diria o poeta.
É por aí, o buraco, a cascata e a
cachoeira. E a cesta. Estamos mesmo numa nau errante. Jogando basquete. Dizem que os
paulistas são os mais informados e cultos dos brasileiros. Os mais alfabetizados. Dizem.
E eis que parece que nós, paulistas, queremos tirar o Suplicy do Senado para colocar lá
o Oscar. A coisa tá por três pontos e o Oscar é bom nesse tipo de arremesso. Ali, não
na boca de urna, mas na boca do garrafão. Pense nisso, cara. É mais ou menos a mesma
coisa de, numa final de campeonato mundial de basquete, o técnico tirar o Oscar do time,
nos momentos decisivos, e colocar o Suplicy com a camisa 13. É querer que o Brasil perca
o jogo.
Eu entenderia até trocar pelo João
Leite. Afinal, o meu amigo João Leite é o homem - segundo ele - do Fernando Henrique
aqui em São Paulo. Mas o Oscar, gente? O Oscar?
O Oscar diz que vai combater as drogas.
Quais? Será que ele, em sua invejável carreira de atleta, nunca tomou uma daquelas
drogas pesadíssimas que os jogadores costumam curtir numa boa? Será que ele não percebe
que não existe droga pior que o padrinho dele?
Impossibilitado de dizer o que pensa, lê
texto de publicitários na televisão. Mesmo (ou memo, como ele diz) assim comete seus
erros de português. Coitado do Oscar, o manipulado, o jipe-guiado, o neurônio gigante.
O Oscar é apenas um, que fica aqui como
exemplo desta nossa nau errante. É muito gostoso rir dele e de outros candidatos no
horário político. Mas é preciso o mínimo de seriedade domingo que vem. Candidato louco
é o que não falta. Mas você, que está me lendo, não é louco, nem louca. Ou é?
Acho que o Oscar é mais um trote do
outro, aquele que fica atrás do abajur verde-quase-musgo-horroroso. Deve ser parente do
Rossi que, em toda eleição, tem ejaculação precoce. Explode antes.Talvez seja por isso
que o cenário dele lembra aquele lá de Washington, o Salão Oral. Ele sempre goza antes
da hora. Depois cai, despenca, sem deixar mancha em nenhum vestido das mocinhas
osasquerosas.
O Oscar é da mesma turma do Levy
Fidelis, aquela carequinha com cara de bebedor de cerveja, simpático, que faz propaganda
da caneta Bic. Pra mim, prêmio revelação do ano. Com medalha de prata para o senador
dele.
Mesmo assim, o horário político nos
brinda com uma Marta. Um renascimento com sopro de beleza, leveza, seriedade e
honestidade. Sobriedade. Perto dela, os demais candidatos parecem estar eternamente de
porre. É com essa que eu vou. Por que não? A Marta é um sopro de vida limpa na
política brasileira.
Meu Deus, pra onde vai o barquinho do
Eymael, esse autêntico democrata cristão? Pra que cascata eles nos dirigem? Prá que
precipício eles nos conduz?
Tem de tudo para você escolher domingo.
Tem até xerife assumido, tem dona de casa querendo ser presidente da república. Tem até
o Serginho Chulapa para deputado. Já pensou? Então pensa.
Sou contra vestibular para se entrar numa
faculdade. Mas acho que, para se candidatar a qualquer cargo, tinha que ter um
vestibularzinho antes. E, de leve, um teste anti-psicopatas.
O Oscar parece trabalhar de mordomo na
casa da família Eneás. Mordomo Oscar. O doutor Enéas, por exemplo. Admiro ele.
Conseguiu transformar uma porção de pessoas - que jamais saberemos de onde saíram - em
clone dele. Aquilo é, indubitavelmente, uma família. O partido não se chama Clona, ou
algo parecido? Fico imaginando os filhos deles vendo o pai (e a tia Havanííííir) na
televisão. Essas crianças vão crescer com problemas.
Tirar o Suplicy, um dos maiores senadores
que a nossa República já teve, para colocar um cestinha? Pelo amor de Deus!
E pra encerrar: vou votar no Ciro. Se é
que isso lhe interessa.