Publicamos hoje, em primeira mão, o resultado da pesquisa de Boca de Urna sobre
as eleições presidenciais de 3 de outubro de 1998. Pela primeira vez na história
democrática deste país, observou-se um empate técnico entre os onze postulantes ao
Planalto Central. Cada um deles foi apontado como nosso futuro presidente por 9,09 do
eleitorado. Foram ouvidas 15.867 pessoas em todo o Brasil nesta Boca de Urna realizada
pelo Estadão.
A seguir, a plataforma de cada um deles:
PAULO HENRIQUE CARDOSO (9,09) - Na impossibilidade da
reeleição de seu pai Fernando, meu querido amigo Paulinho foi o candidato natural do
PSDB. Sua principal plataforma foi o Plano Imperial para combater a Deflação que vinha
atingindo índices de até 50% ao mês. O dólar, por exemplo, está valendo 0,0008 reais
novos. O povo quer de volta a inflação. Foi acusado de usar a máquina do governo, um
velho Buick do seu pai.
LUIS INÁCIO LULA DA SILVA (9,09) - Seu partido, o PT do
B, errou ao criticar prematuramente o Plano Imperial e ele, que era o grande favorito, foi
despencando nas pesquisas. De nada adiantou ter feito o curso ginasial nestes últimos
quatro anos. Mas promete estar com o Científico completo até a eleição de 2002.
ESPERIDIÃO AMIN (9,09) - Agora de peruca, parece outro
homem. Seu lema foi: "se ela deu certo, porque eu não posso dar"? Sua frase
preferida no Horário Político Pago sempre foi: "não digam amém aos políticos,
digam Amin"!
LEONEL BRIZOLA (9,09) - Teve um certo apoio popular após
mudar-se em 95 para a favela da Rocinha onde reside até hoje com sua filha Neuzinha. Mas
parecia cansado na fim da campanha. Chegou a ameaçar renunciar. Também errou ao atacar o
Plano Imperial.
ENÉAS CARNEIRO (9,09) - Desta vez, com
apenas 5 segundos na televisão por dia, contentava-se em dizer "meu nome é
Mussolini", assumindo de vez o seu lado direito. Do seu lado torto, descobriu-se que,
atualmente, ele não trabalha em seis hospitais.
FERNANDO COLLOR (9,09) - Esperava-se mais do
ex-presidente. Foi taxado de demagogo pela direita e pela esquerda ao fazer a sua campanha
de bicicleta, levando marmita aos mais pobres de casa em casa explicando o inexplicável.
PC FARIAS (9,09) - Uma campanha milionária com o apoio
dos especuladores unidos, usando o refrão do velho Adhemar: "roubo, mas faço"!
Apesar da simpatia de todos os presos do Brasil, sua campanha nunca chegou a levantar vôo
no Morcego Negro. Continua preso.
BATMAN (9,09) - Depois de ter sido o candidato a deputado
mais votado em Pernambuco em 94, esperava-se mais deste herói, lançado pelo PFL. Mas os
rumores de uma estreita relação (política) entre ele e o seu vice Robin, parece que
chegaram a abalar um pouco a sua aventura rumo à Brasília.
JAMES LINS (0) - Sua candidatura foi impugnada pelo TSE
poucos dias antes da eleição, pois os eleitores ainda estavam em dúvida se ele
realmente existia ou seria invenção de algum escritor brasileiro. Ele se defendia
dizendo que todos os demais candidatos eram tão personagens e falsos quanto ele. Mas
ficou mesmo de fora.
BRANCO (9,09) - O ex-craque, pentacampeão na França,
foi a grande surpresa desta campanha. Seu slogan, criticado por todos, era: "vote em
Branco"!
NULO (9,09) - O Almirante Fortuna mudou de nome e foi
muito mais votado desta vez, assumindo a nulidade de suas pretensões.
INDECISO (9,09) - O ex-governador Orestes Quércia, de
São Paulo, teve seus votos com este novo registro. Manteve os nove pontos desde o começo
da campanha e ficou indeciso até o final se caia fora ou não. Ainda reclama daqueles 12%
de reajuste que ele não pagou até hoje aos seus funcionários. Dizia que o Plano
Imperial era eleitoreiro.