Jamais
saberemos a verdadeira história do Bar do Mario.
Pra começar, o Bar do Mario não é aqui onde
você está agora. E, em verdade, te digo mais: o Mário é japonês. E, incrível, não
come (nem faz) peixe cru.
O Bar do Mário fica há quase quinhentos
quilômetros daqui, um pouco pra lá de Marrakech, perto de onde Judas perdeu as botas e
você vai perder a cabeça depois dessa caipirinha.
Caipirinhas e caipirinhos freqüentavam o Bar do
Mário (o verdadeiro) lá nos confins de Lins, desde os anos 60. Fim de madrugada, de
papo, de putaria.
O Mário fazia um sanduíche de pão francês,
carne, presunto, moscas, bacon, mãos sujas e um ou outro fiapo de cabelo, queijo. Quem
comeu, voltou. Quem não comeu, não come mais. Posso assegurar que aquele sanduíche era o
melhor do mundo. O Sanduíche do Século, afirmo.
Mas o Mário tinha um problema sério.
Ele, o Tú, a Regina (irmãos de olhos puxados e espertos) e a mãe, a dona Maria, só
abriam o Bar quando dava na telha. Às vezes, ficava uma semana fechado. Sem mais, nem
menos. E muito menos explicações. Cisma oriental? Tenho passado lá e a porta está
abaixada. Mas eu sei que lá dentro tem um bar, um japonês e um sanduíche me esperando de
madrugada.
Enquanto o Mário (o de lá) se fecha em copas, eu
me abro em copos, aqui. Eu e você.
Benvindo. E, tenha certeza, esse aqui não vai
fechar tão cedo. Até às cinco da manhã, o Wilson Sapo e o Serginho Leite garantem o
leite e a cachaça das crianças e dos sapos. Fora os papos.