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O bar do Mário (a verdadeira história)

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Para o bar do Mário (inédita)

1998

 


Jamais saberemos a verdadeira história do Bar do Mario.

Pra começar, o Bar do Mario não é aqui onde você está agora. E, em verdade, te digo mais: o Mário é japonês. E, incrível, não come (nem faz) peixe cru.

O Bar do Mário fica há quase quinhentos quilômetros daqui, um pouco pra lá de Marrakech, perto de onde Judas perdeu as botas e você vai perder a cabeça depois dessa caipirinha.

Caipirinhas e caipirinhos freqüentavam o Bar do Mário (o verdadeiro) lá nos confins de Lins, desde os anos 60. Fim de madrugada, de papo, de putaria.

O Mário fazia um sanduíche de pão francês, carne, presunto, moscas, bacon, mãos sujas e um ou outro fiapo de cabelo, queijo. Quem comeu, voltou. Quem não comeu, não come mais. Posso assegurar que aquele sanduíche era o melhor do mundo. O Sanduíche do Século, afirmo.

Mas o Mário tinha um problema sério. Ele, o Tú, a Regina (irmãos de olhos puxados e espertos) e a mãe, a dona Maria, só abriam o Bar quando dava na telha. Às vezes, ficava uma semana fechado. Sem mais, nem menos. E muito menos explicações. Cisma oriental? Tenho passado lá e a porta está abaixada. Mas eu sei que lá dentro tem um bar, um japonês e um sanduíche me esperando de madrugada.

Enquanto o Mário (o de lá) se fecha em copas, eu me abro em copos, aqui. Eu e você.

Benvindo. E, tenha certeza, esse aqui não vai fechar tão cedo. Até às cinco da manhã, o Wilson Sapo e o Serginho Leite garantem o leite e a cachaça das crianças e dos sapos. Fora os papos.