Você deve
conhecer uma ou mais delas. São aquelas pessoas com quem você está
conversando e – de repente – você percebe que elas não estão te ouvindo.
Sim, porque na primeira vírgula, na primeira pausa, ela entra em outro
assunto, geralmente falando de si mesma. Tenho um amigo, aliás uma pessoa
muito famosa, que ficou uns três anos sem ouvir, sem prestar a mínima
atenção nos outros. Fomos nos afastando dele. Agora, que se separou da
esposa, passou a ouvir. Não estou querendo dizer que os casados não ouvem.
Longe de mim. O caso ali é específico.
As
pessoas que não ouvem, não são surdas. Elas escutam, mas não ouvem. Será que
eu estou sendo claro? Você fala com elas e percebe que o olhar que deveria
estar te mirando, tá longe. Sabe-se lá onde.
Pois eu
resolvi o problema. Descobri que as pessoas que não ouvem, só não ouvem ao
vivo. Mas se você telefonar, elas te escutam, te ouvem, enfim, falam com
você. Não sei qual é a mágica do telefone para fazer trazer aquelas pessoas
à nossa realidade e ao nosso mundo. Aí passei a só falar com este tipo de
gente por telefone. Se a ligação for interurbana, ele ouve mais ainda.
Acho que
é isto: quanto mais longe você está, mais ele presta atenção. Sim, porque
quando você está perto ele não te ouve e nem te vê. Mas, não te vendo, ao
telefone te ouve. Será que o Bell e o Freud chegaram a pensar nisso um dia?
Você
entendeu, ou não ouviu nada do que eu disse?