O que mais me
impressiona não são as novas invenções. São os aperfeiçoamentos delas.
A tesoura, por
exemplo. Não existe registro - que eu saiba - sobre quem inventou a tesoura.
Hoje, vista assim de longe, parece uma bobagem. Ninguém liga. Só não podem
entrar em avião. Mas tente imaginar o mundo sem uma tesoura. Um mundo, pior
ainda, sem a tesourinha de cortar unhas. Mas o que eu admiro na tesoura é a
pessoa que inventou a parte de baixo do cabo ser maior para você colocar
mais dedos ali. No começo não devia nem ter aquelas rodelinhas para os
dedos. Mas a tesoura evoluiu.
O grampo para
cabelo. Tenho certeza que, no começo, não devia ter aquela pontinha mais
gordinha que é para não ferir o chamado couro cabeludo. Quem bolou isso
merece meus respeitos, apesar de eu não ser dado a usá-los.
E o retrovisor
dos carros? Antes os caras deviam ficar olhando para trás para ver se tinha
mais algum Ford por ali. Tente dirigir um carro sem retrovisores, tente.
O aparelho de
barbear com duas lâminas. Durante décadas Mr. Gillette, viveu as honras de
uma lâmina. Agora já são três e não deve parar por aí. Daqui a pouco vão
trasformar o barbeador de lâminas em elétrico. Isso não vai durar cinco
anos. Aí eles vão se machucar. E alguém de bom senso vai inventar de novo a
lâmina de barbear, aquela que vem na caixinha azul e a gente tem de colocar
num aparelho - digamos - meio complicado. Mas muito, muito charmoso.
Não preciso nem
falar no controle remoto da televisão, não é?
Mas tem
invenções que levam seus maus apefeiçoamentos. Dizem que o nosso Santos
Dumont se suicidou quando descobriu que os aviões estavam jogando bomba lá
do alto na sua invenção. Se ele soubesse o que jogam hoje!
As cercas, até
o século 19, eram de arames normais. A vaca encostava ali - às vezes ajudada
por uma amiga - forçavam e iam pastar noutra freguesia. Aí teve o gênio que
inventou o arame farpado. Esse cara deve ter ajudado a aperfeiçoar alguns
instrumentos de tortura também, né?
Dizem que
quando as lâmpadas foram inventadas, elas só ficavam em pé, em cima dos
móveis. Por quê? Porque o gênio Thomas Edison não tinha pensado na rosca. A
rosca veio anos depois e subiu aos tetos. Não caem, mas queimam.
Você sabia que
até 1913 não existiam palavras cruzadas? Foi um americano chamado Arthur
Wynne quem as inventou. Mas não haviam os conceitos. Era só o quadro e você
ia forçando palavras que se encaixassem lá. Até que um dia... "Vou exigir
que coloquem as palavras que eu quiser." Foi uma revolução. Foi chamado de
egoísta, acadêmico. Mas era gênio, este segundo.
O rifle foi
inventado em 1520 por um alemão. Ele achou que o invento já era tão bom, que
nem pensou em colocar mira. Quem colocou a mira lá na ponta do cano foi um
americano, séculos depois.
O leite
condensado foi criado em 1851, nos Estados Unidos, é claro. Mas só depois de
um século e uma década é que ele foi descoberto como o antídoto da larica.
Na minha cabeça, pelo menos, tomou um outro conceito. Muito mais condensado
ainda.
Veja a história
do trem, por exemplo. A abertura é da Barsa:
"As primeiras
pesquisas referentes à tração a vapor sobre trilhos remontam à segunda
metade do século 18 e incluem as contribuições de Newton, Joseph Cugnot e
William Murdock. Entre 1801 e 1804, Richard Trevithick construiu dois
modelos de locomotiva a vapor, aperfeiçoados depois por George Stephenson e
seu filho Robert que, em 1829, venceram o concurso de Rainhill com a
locomotiva denominada The Rocket (O Foguete). As locomotivas de Stephenson
foram usadas na primeira ferrovia de serviço público e, com o tempo, tiveram
aumentados seu tamanho e potência."
Mas vocês sabem
quanto tempo demorou para inventarem o vagão-dormitório? Cinqüenta! Ou seja,
durante meio século os caras dormiam sentados ou em pé, no chamado O
Foguete. Bem, depois que inventaram o vagão-dormitório, logo em seguida
criaram a sacanagem lá dentro. O movimento é muito interessante. E ainda se
pode ver a paisagem. Na Europa é um luxo!
O jeans é de
1873, inventado em plena conquista do oeste americano pelo Oscar
Levi-Strauss. Demorou um século, começo dos 70, para que as meninas
resolvessem rasgar uns pedaços de suas calças e deixar aparecer a pele
naqueles vãos que, diga-se de passagem - estão ficando cada dia maiores.
Obrigado, Mister Levi's, pelos furos da sua invenção.
Tenho a
impressão que quando resolveram usar papel (higiênico) ele vinha em folhas e
ficava ali do lado do chamado vaso sanitário (nunca me conformei em chamar
algo sanitário de vaso. Vaso é para flores e não se fala mais nisso). Aí um
gênio - talvez no milênio passado, resolveu fazer um rolo e ir rasgando.
Século depois alguém inventou aquilo que fica preso na parede e ele ali
dependurado. Tudo ia bem com o honesto papel higiênico até que um metido a
gênio resolveu picotar o papel. Fazer aqueles furinhos. Primeiro que os
espaço entre as duas partes picotadas é mínimo. Não dá nem para assoar o
nariz. E, em segundo lugar, não deu certo! (risos). Você já viu aquilo
rasgar onde eles querem?
E quando
inventaram a guerra tinha a tropa. Era a tropa que ia para a guerra. Hoje
não tem mais tropa, reparou? Guerra mais sem graça essa! Pra mim, guerra sem
trincheira não é guerra! Vamos retroceder um pouco, gente.