"Pelo
menos cinco torcedores do Corinthians foram baleados nesta noite em um ponto
de ônibus na Estrada de Itapecerica, zona sul de São Paulo, durante a
comemoração da vitória do time sobre o São Paulo. Segundo informações da
Polícia Militar, o grupo foi alvejado por torcedores do São Paulo. Eles
foram socorridos para um pronto-socorro da região, mas ainda não há
informações sobre o estado de saúde dos feridos." (site Terra, de sábado
passado) Enquanto isso, em Bagdá...
No
site da BOL encontro o mapa astral do Bush (o que Saddam quis matar o papai
dele):
"Carismático, atraente, sagaz e exibindo controle de si, Bush nasceu com uma
poderosa conjunção entre Vênus, Mercúrio e Plutão no Ascendente. Pensador
independente, muito capaz, sua inteligência é reconhecida facilmente quando
expressa sua personalidade. Vênus em Leão é muito importante nesta carta,
pois domina o Meio-Céu, a vocação social da pessoa, indicando aqui enorme
capacidade de trabalhar com pessoas, maestria diplomática, forte ligação com
os valores da comunidade. Capaz de sentir no ar as oportunidades e
adaptar-se às mudanças, Bush conta também com um trígono entre a Lua e
Urano, assim como entre Júpiter e Urano. Marte em Virgem no setor de valores
indica ainda forte agressividade na perseguição de seus valores e do que
acredita.
Dizem
os astrólogos de seu país que sobre ele pesa a maldição de ter sido eleito
em um daqueles anos em que presidentes norte-americanos são assassinados."
Enquanto isso, em Bagdá...
Mas a
guerra a que me refiro no título é a nossa, a brasileira. Sim, aquela que
saiu das manchetes dos jornais brasileiros. Não sei por que, mas o leitor
brasileiro se empolga mais com a loucura do Bush do que com o assassinato do
juiz no interior de São Paulo. Sim, na nossa pouco empolgante guerra à
brasileira, eles começaram matando advogados, agora matam juízes.
Dentro
de um ano estarão matando prefeitos, governadores e chegarão a Brasília.
Depois de matarem o nosso presidente, o papa que se cuide. Mas nada disso
nos interessa, a nossa guerra civil não é mostrada pela CNN. É guerrinha de
pobre.
Enquanto isso, em Bagdá...
Você
não conheceu o Lino. O Lino era um garoto de 22 anos, morador de São Paulo,
estudante. No dia 27 de dezembro passado, uma bela sexta-feira entre o Natal
e o ano-novo, pegou o carro do avô para ir para a balada. Em frente do
Jockey Club, numa tentativa de assalto, levou um tiro na cabeça, perdeu a
direção do carro e a vida. Seu carro bateu num poste. Lino estava morto. Seu
avô, seu pai, sua mãe, seus irmãos não estão tendo um bom ano-novo. E agora
- pasme! - a Eletropaulo está processando o dono do carro - o avô do jovem
assassinado - por danos materiais no seu poste de luz. Quer que eu repita? A
Eletropaulo está processando o avô do jovem assassinado. Em tempo: até hoje,
a polícia não sabe quem matou o Lino. Só sabe que o garoto estragou um
poste. Quer que eu repita?
Enquanto isso, em Bagdá...
O caso
do Lino foi um acontecimento tão normal, tão banal, que nem saiu nos
jornais. Dezenas de Linos morrem por dia em São Paulo e a coisa fica por
isso mesmo. Se o menino fosse iraquiano sairia na Globo.
Enquanto isso, aqui em São Paulo, guerra mesmo foi entre o Corinthians e o
São Paulo. Uma guerra organizada pelo Farah (seria ele iraquiano?), um
sujeito que pinta as bolas de prateado, organiza um campeonato onde o nono
colocado sai da disputa no meio, diz que cartão amarelo vale pontos e não
sabe português, redigindo um regulamento que a ONU não entenderia e o Bush
não teria dúvida de mandar um teleguiado até a sede da Federação Paulista de
Futebol.
Mas na
guerra do Morumbi, no sábado passado, que começou com duas baixas logo no
começo do tiroteio, havia alguma coisa pacífica e bonita dentro das quatro
linhas do gramado. Mais precisamente em cima de uma das linhas laterais. Uma
bandeirinha. Ou, como quer o Saddam, digo, Farah, uma auxiliar de
arbitragem. Sim, do lado de lá do campo, de frente para as câmeras, corria a
Ana Paula com suas pernas maravilhosas. E foi perfeita. Levantava o pau da
bandeira na hora certa. E fez com que o Vampeta só fizesse jogadas lá pelo
lado dela. Tão perfeita que, quando o Jorge Wagner soltou o terceiro míssil
- e definitivo do fim da guerra -, eu nem vi. Estava esticando os olhos para
as pernas que, imediatamente corriam para o meio de campo. Olha aí Playboy,
o título da capa: Ana Paula sem a bandeira.
Depois, deram uns
tiros em cinco ou seis corintianos. Mas quem sem importa com isso? Naquele
momento estava todo mundo ligado na CNN e no genocídio americano.
Feliz do Brasil onde
não temos nem terremotos nem guerra. Somos um povo pacífico e de Primeiro
Mundo. Aqui, bateu no poste tem de pagar. Isso que é civilização.