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AINDA O CASO GUILHERME DE PAULA

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o estado de s. paulo

12/01/200

 


Pelo o que eu entendi a história foi assim:

O ator principiante e coadjuvante começa a namorar a filha da autora da telenovela para, através disso, a garota pedir para a mãe aumentar o papel dele. Ele quem disse isso.

Mas aí a jovem esposa do ator engravida, ele termina o caso com a jovem atriz, o papel dele diminui e eles matam a moça.

Glória Perez, minha amiga e colega Glória Perez, não faria melhor roteiro. Mas preferiu encarnar a personagem Mãe Coragem, com o filho a tiracolo e enfrentou com garra incomum os codjuvantes da trama macabra.

O Brasil, Glória, se orgulha de você e da sua família.

Mas voltemos ao excelente ator Gui que, segundo os jornais, fez a melhor interpretação da sua vida na sala de julgamento. Mas será que o que ele contou foi a verdade? Dizem que parecia um script previamente decorado. E muito bem interpretado.

Mas, para mim, ficaram umas dúvidas no ar.

Primeiro: por que desmembraram o julgamento? A quem isso beneficia?

Segundo: se esse júri decidiu por cinco a dois que foi o Gui quem deu as tesouradas, o que vai sobrar para a promotoria contra a Paula?

A minha pergunta é a seguinte: se está provado pela Justiça que foi ele, então não pode ter sido ela. Mas, na solidão da sua cela está esperando uma pena de 16 anos.

Se ela diz que estava num shopping na hora do crime, vai pegar 16 anos por que? Vagabundagem? Vadiagem? Juro que não estou a perceber o caso.

Outra coisa: como é que se permite que um sujeito que não sabe qual é o lado direito e esquerdo, pode ser a principal testemunha de um crime que abalou o Brasil e o mundo? Brasiiiiiiil!

Co-autoria dirão os senhores promotores.

A verdade é que cada um tem uma história diferente para o caso. Em mais de quatro anos, ninguém consegue descobrir quem fala a verdade e quem mente. Serão os dois, Gui e Paula, dois gênios? Maquiavélicos monstros?

O que eu sinto nesses casos é que os protagonistas viram codjuvantes e os advogados os heróis do espetáculo. A partir de um momento eles não falam mais as suas falas. Falam as falas dos advogados. E é aí que embola o meio de campo.

Não tenho nada contra advogados. Aliás tenho dois. Como diz um amigo meu, o homem depois dos cinqüenta precisa de duas coisas na vida: um advogado e um dentista. Mas eu me pergunto: os dois advogados, acreditam na versão dos seus pupilos, ou são eles que armam toda a encenação, a trama central e decidem o final dessa novela espatafúrdia?

Jamais saberemos o que ocorreu realmente na noite de 28 de dezembro de 1992. Vamos saber apenas que um pegou tantos anos e a outra tantos. E logo mais estarão de novo aí na praça. Guilherme provavelmente vai querer interpretar nas telas o papel de Leonardo Pareja, bem adequado para ele. E a Paula talvez vá ser balconista num shopping, já que gosta tanto de passar, por dia, 7 horas passeando por lá.

Não importa quantos anos vão ficar presos e depois sobreviveram aqui fora. O importante é que foram condenados pela sociedade. Estão condenados eternamente e eles sabem disso.

Dois capítulos fora da novela, deu nisso.

Mas a novela não terminou. Vai ser esticada até abril, data provável do julgamento da Paula.

Em tempo: e os seis mil dólares que estavam com a Dany? Como os dois foram presos no dia seguinte ao crime, não tiveram tempo nem lugar para gastar a grana. Onde está a grana da Dany, gente?

Outra coisa: o Juiz mandou o condenado pagar as custas do processo. Onde ele vai arrumar dinheiro?

E a Benedita da Silva, o que queria lá? Já não bastava ter sido codjuvante da novela O Rei do Gado na morte do chatérrimo senador caxias Caxias, junto com o meu querido Suplicy?

Para terminar: conheci a Dany da casa da Glória quando ela tinha 16, 17 anos (a idade da minha filha, hoje). Estava saindo do banho, com os cabelos molhados. Nunca vou esquecer aquela imagem. E se colocou a dançar na sala, deslumbrante. Foi uma das meninas mais lindas que já conheci.

O céu ficou mais bonito com ela. Deve estar formando uma dupla infernal com o Lany Dale. Dany e Lany.

E, aos perdedores as batatas, como queria o Machado.