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acabaram os trotes?

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revista bcp

/05/2003

 


Se você for muito jovem vai achar que a palavra trote se refere a calouros, aqueles que entram na faculdade. Não, não é nada disto. Refiro-me ao trote telefônico que, com o passar do tempo e o avanço tecnológico, sumiu.

Me lembro quando chegou o telefone na minha pequena Lins. Nós, adolescentes, passávamos o dia inteiro ligando para as pessoas da cidade - conhecidas ou não - passando trote. Geralmente dizendo que estávamos testando a linha, a sonoridade e pedíamos até para as pessoas rezarem uma Ave-Maria do outro lado da linha. A gente não tinha mesmo o que fazer.

Era aqui que eu queria chegar. Com a evolução dos "brinquedos", incluindo televisão e computador, ninguém tem mais tempo para ficar pensando em passar trotes pelo telefone. Mesmo porque hoje tem o identificador de chamadas que logo entrega o engraçadinho.

Mas o trote era a nossa diversão. E receber um trote, dependendo do nível, não era tão desagradável assim. Foi por um trote que eu arrumei a minha primeira namorada. Uma garota me ligou dizendo que era a Maria Lúcia. Não era, era um trote. Mas eu "caí" no trote, deslumbrado. A Maria Lúcia era a menina mais bonita da cidade. E marcou um encontro comigo no cinema da cidade. Eu fui, entrei, tinha um lugar ao lado dela, sentei. Apagou a luz, peguei na mão dela. E ela deixou. Meses depois eu vim a saber que havia sido a Neidinha quem tinha me ligado. Mas valeu.

Era inocente o trote. Bem mais inocente do que grampear um telefone, por exemplo. Tanto naquela época, como hoje, não havia nenhuma punição. Mas o trote era uma brincadeira, já disse. A gente não usava o telefone para bisbilhotar a vida de ninguém. Era uma diversão. Te juro que tenho saudades do tempo em que eu passava e recebia trotes.