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A VIRGEM DE WASHINGTON

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o estado de s. paulo

 

 


Há poucos dias li, aqui no Estadão, quase escondida num fim de página, uma notícia pequena que muito me assustou. Chocou, para ser mais exato.

Principalmente por eu ser, apesar de leigo, um pouco conhecedor das coisas da Igreja Católica Apostólica Romana. Tenho nove anos de Colégio Salesiano (daquele tempo!) e já passei por alguns papas. Desde o inesquecível e maravilhoso João XXIII até o atual Papa viajor.

Portanto, como católico (muito pouco praticante, devo confessar) tenho o direito de comentar o que li. Além do mais, a personagem principal do caso é uma coleguinha jornalista americana. Segue, na íntegra, o texto publicado aqui, enviado por uma agência internacional de notícias:

O título: VIRGEM SE CASA COM ESTUPRADOR CONDENADO À MORTE.

"Washington - Doreen Lioyu, jornalista católica de 41 anos, casou-se na quinta-feira, na prisão de segurança máxima de San Quentin, com o presidiário Richard Ramirez - condenado à morte por ter torturado, violentado e assassinado 13 mulheres. Enquanto Doreen, que se dizia apaixonada por Ramirez e orgulhosa de ter chegado virgem ao altar, participava da cerimônia, seus parentes acompanhavam tudo em estado de choque.

"Doreen cresceu sem nenhum sintoma de desequilíbrio mental, mas, em algum momento, algo deve ter ocorrido", disse um familiar. "O fato de participar de um casamento que não pode ser consumado, evidencia que ela vive numa dimensão distante da realidade", afirmou um primo da noiva, Adan Yates.

Yates se referia ao regulamento da penitenciária que proíbe encontros conjugais. Depois do casamento, do qual o noivo participou vestindo o uniforme dos condenados à morte, o casal de separou com um beijo e um rápido abraço".

Era essa a nota, sem tirar nem por, referindo-se ao casamento onde, por sinal, ninguém colocou e ninguém pôs.

Veja o que o primo disse: "ela vive numa dimensão distante da realidade". Eu pergunto: é ela que vive numa dimensão distante da realidade ou é a atual Igreja Católica?

Doreen é uma vítima do que vem pregando o Papa, evidentemente. Em pleno final de século ele ainda proíbe usar camisinha e ter relações sem fins de procriação. E proíbe o uso da camisinha enquanto a AIDS vem se alastrando pelo mundo, mas ainda não pulou o muro do Vaticano. Ou será que já?

O Papa atual proíbe o prazer. Provavelmente por não o conhecer. Todo mundo sabe que essa história de padre não poder casar vem de muitos séculos atrás que era para evitar que o dinheiro do Vaticano fosse dividido pelas viúvas e filhos (?) dos padres, bispos,. cardeais e papas.

Conseqüência: até hoje (alguns deles) não conhecem o prazer o sexo e a verdadeira extensão do amor.

Jesus, quando juntou a sua turma (os apóstolos) fez com que alguns deles abandonassem esposas e filhos. Belo exemplo.

Segundo alguns padres progressitas com quem convivo, o celibato estava para acabar antes do atual pontificado. Mas a discussão vai se arrastando.

Até quando um só homem vai decidir o destino de todos nós católicos, ad nauseam? Será que não dava para ser um mandato como o dos presidentes? Coisa de cinco anos? Será que não dava para ele decidir as suas posições com um colegiado que realmente tivesse força?

Senhor Papa: esta barbaridade que a colega jornalista fez lá nos Estados Unidos, é fruto não da cabeça dela, mas sim da sua.

E, se porventura, um dia a Virgem de Washington aparecer grávida, não venha nos dizer que foi um anjo estuprador. Foi a falta de camisinha e de discernimento. Mais da Igreja do que dela, coitada, que não quis ser coitada (literalmente) de jeito nenhum.

Reze por ela, João Paulo. Pelo senhor e pelo Senhor.

Amém.

PS - É uma pena o próximo afastamento de Dom Evaristo.