Calma, meu anjo. Não se trata de uma gordinha pela
metade. Meia. Nem da meia (aquilo de colocar nos pés) de uma gordinha,
portanto, uma meia gordinha.
- Trata-se de você mesma, navegante da Internet. Eu sei
que você é meia gordinha e que existe um erro de português aqui. Mas meio
gordinha não é o mesmo que meia gordinha. Que me perdoem os amargos
gramáticos, mas gordinha é meia. Meia gordinha. Meia gordinha soa melhor,
sua menos. Meia gordinha, como você está, no ponto.
- Eu não sei exatamente o que é que a Internet faz para
atrair as meia gordinhas. Mas elas não resistem. É como se a Internet
fosse feita para elas. E elas, esperaram anos - formando-se como meia
gordinhas - pelo advento da rede. É isso, uma meia gordinha se encaixa na
rede. Ali ficam, ali balançam, ali se mostram, se expõem, se apaixonam.
Ali, são universais internautas. Ali, soltam suas vírgulas (como suas
curvas), suas reticências (suas dobrinhas) e suas bem colocadas
exclamações. Não usam acento, mas têm assentos. Não usam maiúsculas, pois
já nasceram meia grandinhas.
- E agora você, me lendo, pergunta: como é que ele sabe
que eu sou meia gordinha? Pesquisa, minha cara meia gordinha. Nem Bill
Gates sabe disso. Mas o Dataprata tem sua pesquisa. 83% das mulheres que
desfilam pela Internet são meia gordinhas. Se você estiver nos 17% das
meia magrinhas, pode parar de ler. Mesmo porque, nada ofende mais uma
mulher do que ser considerada meia gordinha, não o sendo.
- Não sei por que vocês estão lá navegando. Talvez por
terem vergonha de ser meia gordinha. E, quando a gente pede uma foto,
mandam aquela só do rosto, né? Ou de vestido preto. Se você mandasse sem o
vestido, ia fazer muito mais sucesso. Sim, nós sabemos de antemão que você
é meia gordinha. Você pode até mentir suas medidas, mas o seu texto te
entrega. O estilo de uma meia gordinha é inconfundível.
- Pro meu gosto, meia gordinha é o que há. Aliás, pra
todo mundo que eu conheço. Só que ninguém assume: o brasileiro,
influenciado pela moda francesa, quer a magra. Pra pegar onde? Pra segurar
o quê? Pra recostar em claviculares saboneteiras? Pois é muito melhor
espalhar sabonete pelo corpinho de uma meia gordinha.
- Mas não vamos confundir a meia gordinha com a
gordinha. Há celulíticas e celulares diferenças. Em primeiro lugar, a meia
gordinha assume que é meia gordinha. Enquanto que a gordinha faz de tudo
para se tornar meia. E sofre com isso. Mesmo porque, quando uma gordinha
vira meia, desaba o mundo, enruga o universo.
- A meia gordinha honesta, assume. É, antes de tudo,
uma forte. Uma fortaleza.
- Tudo no seu devido lugar. Se ela emagrecer perde -
além de quilos - pontos.
- Dizem que até abandona a Internet.
- Veja, por exemplo, o que diz Matthew Shirts,
brasilianista de primeira.
- Portanto, conhecedor das coisas abaixo do Equador e
acima da Argentina:
- - Sempre achei a maior graça nas meia gordinhas. Para
começar, elas são mais expansivas e alegres que as magras e topam qualquer
parada. Nunca conheci uma meia gordinha que impusesse restrições ao
imaginário erótico de um homem - no caso, eu mesmo, meio gordinho. É
claro, desde que você não proponha nada de acrobático demais, como saltar
de cima de um guarda-roupa.
- Ele revira os olhos ao me dar tais declarações:
- - Nos Estados Unidos, você dificilmente encontra
mulheres, mesmo gordas, com nádegas avantajadas. No Brasil, isso é quase
corriqueiro. A verdade é que uma meia gordinha de bumbum proeminente me
deixa bastante perturbado, no bom sentido. Talvez esteja aí um dos
principais motivos que me levaram a trocar os States pela pátria do
futebol e das meia gordinhas.
- E conclui:
- - A meia gordinha sexualmente realizada é um dos
seres mais calmos do planeta.
- As meia magrinhas que me perdoem, mas as meia
gordinhas são bem melhores de vírgulas, de reticências e de exclamações.
Sem falar naqueles dois pontos delas. Muitíssimo bem colocados.
- E ponto final.
- E, pra quem não sabe, o Mateus é meio gordinho. E
bem-vindo ao meio do Caderno 2, toda segunda-feira.
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