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A meia gordinha

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Revista Mulher Atual

01/02/00

 


Calma, meu anjo. Não se trata de uma gordinha pela metade. Meia. Nem de uma meia (aquilo de colocar nos pés) de uma gordinha, portanto, uma meia gordinha.

Trata-se de você mesma, leitora aqui da internet. Eu sei que você é meia gordinha e que existe um erro de português ali. Mas meio gordinha não é o mesmo que meia gordinha. Que me perdoem os amargos gramáticos, mas gordinha é meia. Meia gordinha. Meia gordinha soa melhor, sua menos. Meia gordinha, como você está, no ponto.

E agora você, me lendo, pergunta: como é que ele sabe que eu sou meia gordinha? Pesquisa, minha cara meia gordinha.  Nem Bill Gates sabe disso. Mas o Dataprata tem sua pesquisa. 83% das mulheres que desfilam pela internet são meia gordinhas. Se você estiver nos 17% das meia magrinhas, pode parar de ler. Mesmo porque, nada ofende mais uma mulher do que ser considerada meia gordinha, não a sendo.

E é aí que está o seu erro, 83. Não sei porque vocês estão aqui navegando. Talvez por terem vergonha de ser meia gordinha. E, quando a gente pede uma foto, mandam aquela só do rosto, né? Ou de vestido preto. Se você mandasse sem o vestido, ia fazer muito mais sucesso.

Pro meu gosto, meia gordinha é o que há. Aliás, pra todo mundo que eu conheço. Só que ninguém assume: o brasileiro, influenciado pela moda francesa, quer a magra. Pra pegar onde? Pra segurar o que? Pra recostar em claviculares saboneteiras? Pois é muito melhor espalhar sabonete pela bundinha de uma meia gordinha.

Mas não vamos confundir a meia gordinha com a gordinha. Há celulíticas e celulares diferenças. Em primeiro lugar, a meia gordinha assume que é meia gordinha. Enquanto que a gordinha faz de tudo para se tornar meia. E sofre com isso. Mesmo porque, quando uma gordinha vira meia, desaba o mundo, enruga o universo.

A meia gordinha honesta, assume. É, antes de tudo, uma forte. Uma fortaleza. Tudo no seu devido lugar. Se ela emagrecer perde - além de quilos - pontos. Dizem que até abandona a internet.

Veja, por exemplo, o que diz Matthew Shirts, brasilianista de primeira. Portanto, conhecedor das coisas abaixo do equador e acima da Argentina:

- Sempre achei a maior graça nas meia gordinhas. Para começar, elas são mais expansivas e alegres que as magras e topam qualquer parada. Nunca conheci uma meia gordinha que impusesse restrições ao imaginário erótico de um homem - no caso, eu mesmo, meio gordinho. É claro, desde que você não proponha nada de acrobático demais, como saltar de cima de um guarda-roupa.

Ele revira os olhos ao me dar tais declarações:

- Nos Estados Unidos, você dificilmente encontra mulheres, mesmo gordas, com nádegas avantajadas. No Brasil, isso é quase corriqueiro. A verdade é que uma meia gordinha de bumbum proeminente me deixa bastante perturbado, no bom sentido. Talvez esteja aí um dos principais motivos que me levaram a trocar os States pela pátria do futebol e das meia gordinhas.

E conclui:

- A meia gordinha sexualmente realizada é um dos seres mais calmos do planeta.

(Na próxima semana: a meia magrinha. É bom também.)