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A festa do Bob

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o estado de s. paulo

25/09/2002

 


O Bob é o Wolfenson, o ("o" mesmo) fotógrafo. E a Marisa é a mulher dele, moça ligadíssima ao nosso cinema. E eles fizeram aniversário no sábado passado e inauguravam casa nova. E eu não fui.

Convidadíssimo estava. Além de um simpático recado na secretária da Ilha, amigos ligaram confirmando o convite e aguardando minha ida. Foi aí que eu comecei a não ir.

Perdi uma festaça, me confirmaram todos no domingo. "Até o Raí estava por lá, batendo uma bola." O mundo bonito da fotografia, do cinema, do jornalismo e alguns escritores. E eu não fui.

Dizia que comecei a não ir quando pedi carona para o Reinaldo Moraes, igualmente escritor. E ele me disse que ia lá pelas 11.

- Onze??? E o que a gente vai fazer até as 11 horas?

- Vem pra minha casa. A gente faz hora aqui.

Me recostei numa poltrona e comecei a pensar pensamentos de velho. Por que é que as festas em São Paulo não começam às 8 da noite? Nove?, vá lá. Tenho certeza que todos os convidados ficaram das 8 até as 11 fazendo hora isoladamente, quando poderiam estar fazendo a mesma hora lá, na casa da Marisa e do Bob.

O horário não é coisa do meu querido e lindo casal. A coisa é geral.

Antigamente quando se convidava para "depois das 10" significa que era para ir jantado. Não foi o caso, me garantiu o compadre Matthew Shirts que foi jantado e lá tinha comida farta e boa. Ficou em casa fazendo hora comendo e agora não tinha muito bem o que fazer por lá, pois - como me disse - foi com a patroa.

Sou mineiro, gente. Mineiro chega antes. Me lembro que uma das primeiras festas que fui em São Paulo, comecinho dos anos 70, na casa da belíssima e competente Sheila Leirner, cheguei na hora marcada: 9 da noite. Deveria ter aprendido a lição, pois nem a Sheila havia chegado. E, depois de chegar ainda foi tomar o seu banho e se arrumar. O segundo convidado (Samuel Wainer) chegou às 10 e meia e eu já estava de pilequinho.

Portanto, se marcam uma festa - em São Paulo - para 11 da noite, significa que é de bom alvitre chegar lá pela meia-noite e meia. E eu não tenho mais idade pra isso, Bob. Moro numa Ilha que dorme cedo. Aqui as festas começam - no máximo - às 9. E olha lá. É, estou mesmo ficando velho, sistemático e irritadiço.

E a Luciana de Francesco, com quem vim a almoçar no domingo (quase às 4 da tarde), saiu da festa do Bob às 2 e meia e foi ainda para outra. Sem o Raí.

Resultado, acabei almoçando quase na hora de jantar.

Tudo bem, o Bob e a Marisa são amigos também da Suzana e do Jabor que convidam para seus maravilhosos almoços "ali pelas 3". O que significa que a gente come lá pelas 6 e meia. Aliás, almoça-se muito bem na casa dos dois. O José Serra que o diga.

O futebol que antes era - no máximo - às 9 horas agora é, por imposição da dona Globo, às 15 para as 10 da noite. O que eu sinto é que as pessoas em São Paulo estão querendo fugir do dia. Preferem, cada vez mais, viver à noite. Quanto mais noite, mais in. O que é que os paulistanos de hoje têm contra o dia e o sol?

Estou escrevendo tudo isso porque estou arrependidíssimo de não ter ido à festa no sábado. Não fui de birra mesmo. Deixei de ver todos os meus amigos e amigas que estavam lá. Inclusive a Suzana que deve ter jantado lá pela uma da manhã, quando eu já estava dormindo.

Marisa e Bob, devo uma presença para vocês. Mas fica aqui os meus parabéns, votos de muita felicidade e a esperança de que no ano que vem a gente se veja mais cedo.

Ou então, no dia da festa de vocês eu marco uma outra na minha casa, das 8 às 11, para todos nós fazermos hora juntos. Já que os nossos amigos são os mesmos. Aliás, cá entre nós, Bob e Marisa, temos os melhores amigos e amigas da cidade. Um bando de maravilhosos boêmios.